Quando a gente pensa em Orlan, lembra logo das intervenções em seu próprio corpo - tendo como a mais famosa performance (acredito eu) a "Reencarnação de St. Orlan" nos anos 90, em que eram transmitidas via satélite para diversas galerias de arte, as modificações feitas em seu rosto: chifre, implantes de queixos, bochechas e etc. Mas o que me chamou atenção hoje foi essa declaração da artista:“Não estou nem aí com as imagens que produzi de mim mesma, porque não fui eu que escolhi o ponto de partida. Não escolhi meu nome, nem a cor da minha pele. Nós somos cidadãos do mundo, receptores de estímulos que vêm dos lugares mais diferentes, da televisão, da internet."
A princípio, mesmo com esse discurso "não tô nem aí", Orlan me passava um quê de narcisismo pelo fato de explorar sua imagem para fazer pensar. Mas o que ela disse é verdade. Não escolhemos nada sobre a nossa imagem, justamente um dos grandes dramas do homem. E é preciso total desprendimento e separação da mente & corpo para se conseguir extrair um olhar artístico de si mesma, e na maior parte das vezes, de forma chocante e precursora.
O que antes chocava, hoje parece banal. Ou melhor, é hit. Não falo das plásticas em si, que obviamente fazem sucesso - o Brasil por exemplo é o 2º no ranking mundial dos países que mais realizam intervenções estéticas, ficando atrás apenas dos EUA. Me refiro aos programas sobre o assunto que mostram tudo quanto é "tripa" e "agulhas", como o Dr. 90210, Na ponta do Bisturi, etc. O que será que nos facina nesse tipo de programa? Seria uma mistura de curiosidade, aflição, voyerismo, satisfação pelo "antes e depois" alheio? Porque a gente se interessa tanto pelo drama do outro?
O site da Orlan é muito legal, a trilha é MUITO BOA, e os links mais interessantes ainda. Vai lá.

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