segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Orlan & Nós

Já falei um pouco sobre auto-imagem, no post Keep Cooler. Mas volto a lembrar o assunto, aproveitando a passagem da artista francesa Orlan, que deu palestra hoje no Museu de Arte Contemporânea em SP.

Quando a gente pensa em Orlan, lembra logo das intervenções em seu próprio corpo - tendo como a mais famosa performance (acredito eu) a "Reencarnação de St. Orlan" nos anos 90, em que eram transmitidas via satélite para diversas galerias de arte, as modificações feitas em seu rosto: chifre, implantes de queixos, bochechas e etc. Mas o que me chamou atenção hoje foi essa declaração da artista:

“Não estou nem aí com as imagens que produzi de mim mesma, porque não fui eu que escolhi o ponto de partida. Não escolhi meu nome, nem a cor da minha pele. Nós somos cidadãos do mundo, receptores de estímulos que vêm dos lugares mais diferentes, da televisão, da internet."

A princípio, mesmo com esse discurso "não tô nem aí", Orlan me passava um quê de narcisismo pelo fato de explorar sua imagem para fazer pensar. Mas o que ela disse é verdade. Não escolhemos nada sobre a nossa imagem, justamente um dos grandes dramas do homem. E é preciso total desprendimento e separação da mente & corpo para se conseguir extrair um olhar artístico de si mesma, e na maior parte das vezes, de forma chocante e precursora.


O que antes chocava, hoje parece banal. Ou melhor, é hit. Não falo das plásticas em si, que obviamente fazem sucesso - o Brasil por exemplo é o 2º no ranking mundial dos países que mais realizam intervenções estéticas, ficando atrás apenas dos EUA. Me refiro aos programas sobre o assunto que mostram tudo quanto é "tripa" e "agulhas", como o Dr. 90210, Na ponta do Bisturi, etc. O que será que nos facina nesse tipo de programa? Seria uma mistura de curiosidade, aflição, voyerismo, satisfação pelo "antes e depois" alheio? Porque a gente se interessa tanto pelo drama do outro?

O site da Orlan é muito legal, a trilha é MUITO BOA, e os links mais interessantes ainda. Vai lá.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Eba, mygazine!

Interessante.

Não teve tempo de comprar a sua revista preferida? Quer ler um monte de revista "importada"? No mygazines.com os usuários cadastrados fazem os uploads em flash e qualquer um pode ir até lá e, além de ler, dá pra dar zoom, copiar, comentar os arquivos preferidos e claro, fazer um arquivo pessoal com suas revistas e matérias favoritas. Tudo free.



O site tem um sistema de busca de artigos, tipos de conteúdo, ranking das matérias mais lidas, uma lista onde figuram os últimos uploads, e etc. Ah, quando eu acessei apareciam uma Veja e uma IstoÉ como últimos uploads de revista, hehe. Mas devem ter mais, ainda não deu tempo de fuçar em tudo.

Parece que as grandes editoras já estão querendo tirar o site do ar, então vai lá enquanto dá tempo!

É engraçado pensar no que vai dar tudo isso, mas seria bem melhor se a gente num futuro próximo tivesse acesso só a conteúdo digital. Quer dizer, um monte de gente ficaria sem emprego e tudo mais, mas é bem mais eco-friendly. Enfim, temos um looongo caminho pela frente para que exista essa adaptação.

Enquanto isso, por mais que esse site deixe de existir 100% free, é fato que outros surgirão e a coisa continuará acontecendo. Espero. Porque é um super conteúdo disponível para todos. Já viu o precinho de uma Vogue (sem ser a brasileira) aqui no Brasil? Na faixa de uns R$30,00. Sacanagem, né?

Burocracia nossa de cada dia

Voltei. Essas duas últimas semanas têm sido bem loucas. Claro que sabemos que tudo no mundo gira em torno de burocracia, mas aqui no Brasil isso é bem nítido. Tive que ir até o Rio pra tirar a segunda via do meu RG, porque este já tinha mais de 10 anos e poderia me causar problemas em relação a outras documentações que estou providenciando. Detalhe: O RG não deveria ser um número único e nacional, sem mudanças de um estado para o outro? Tudo bem, ir até o Rio não é nenhum sacrifício, o problema é que nem deu tempo de ir até a praia, e o tempo estava m.a.r.av.i.l.h.o.s.o.


Minha saga começou aqui em SP ainda, quando tive que pagar uma tal de taxa "Duda". Como é algo específico do Rio nenhum funcionário paulista sabia o que era e quase não consigo pagar. Nem preciso dizer que ao chegar no Detran do Rio tive uma série de problemas em relação a foto que eu havia levado, ao protocolo de retirada, etc. Tive que ir e voltar duas vezes pra descobrirem depois que eu estava certa e o funcionário novo havia me passado todas as informações erradas. Resultado: Perdi a manhã inteira, tive que ir até o cartório e providenciar uma procuração pra minha amiga retirar o documento pra mim. Ah, e ainda corro o risco do RG não ser aprovado, porque eu estava com um machucadinho em um dos dedos que prejudicou a retirada das minhas digitais. Uma funcionária bem mal-educada me ouviu conversando com outras pessoas sobre os benefícios Poupa Tempo em São Paulo (olha a situação) e sentindo seu ego-carioca ferido se intrometeu na conversa dizendo que o Poupa Tempo dava um monte de documento pra bandido, porque tudo aqui era muito fácil. Fiquei pensando, porque será que existe essa rixa histórica entre as duas cidades?


De fato, São Paulo movimenta o país, as coisas funcionam, a vida cultural é rica, as pessoas são mais cosmopolitas e consequentemente ligadas ao que acontece no resto do mundo. Em contrapartida, acho que os cariocas são mais felizes. Também têm vida cultural, não sofrem o mesmo caos do trâsito que nós, existem as praias e as paisagens maravilhosas - mas em compensação existe o problema da violência.

Peguei a ponte aérea de volta às 8:45h da manhã. Quando o vôo decolou do Santos Dummont, pude ver aquele marzão brilhante, a ponte Rio-Niterói, o Pão-de-Açúcar, Marina da Glória...Em seguida Leme, Copacabana e seu forte, Arpoador e Ipanema, Leblon... É sempre um momento de contemplação e tristeza, por já estar indo embora. Acho que qualquer um que nunca tenha morado no Rio deve sentir pelo menos um pouquinho de tristeza ao ir embora e entender porque o carioca é mais feliz. Porque a natureza e o cenário urbano está em quase perfeita harmonia com seus cidadãos. Mesmo as favelas fazem parte desse contexto.

Coincidentemente, havia comprado uma revista Bravo! e me chamou a atenção uma reportagem sobre o artista dinamarquês Olafur Eliasson, que colocou cachoeiras no centro de Nova York e chegou a tingir de verde um rio em Estocolmo com o intuito de fazer com que as pessoas voltem a tomar consciência do espaço onde vivem, justamente os grandes cenários urbanos. Os organizadores da mostra de Nova York, que vai até 13 de outubro, realizam passeios de barco e bicicleta para que as pessoas possam interagir com a obra. Uma das cachoeiras fica embaixo da ponte do Brooklin.
Claro que existem outros artistas fazendo coisas parecidas por aqui, talvez não de maneira tão ousada. Mas seria bem interessante se São Paulo contasse com alguma "intervenção" de Olafur.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Generation XY14

Interessante o blog do australiano Michael Specht, cujo post de hoje é um teste para saber qual é a sua geração, que no caso não necessariamente tem a ver com a data de seu nascimento, mas sim com o que você faz. Segundo o próprio Michael, não é 100% científico mas dá pra nos proporcionar uma idéia. É bem engraçado, porque ele acabou de colocar o post e já tem uns 20 comentários. As pessoas adoram saber aonde estão "classificadas" A propósito, marquei 16 pontos e ufa (!) , to dentro da Y, kakaka! Segue o teste abaixo:


- Do you have your own web page? (1 point)
- Have you made a web page for someone else? (2 points)
- Do you IM your friends? (1 point)
- Do you text your friends? (2 points)
- Do you watch videos on YouTube? (1 point)
- Do you remix video files from the Internet? (2 points)
- Have you paid for and downloaded music from the Internet? (1 point)
- Do you know where to download free (illegal) music from the Internet? (2 points)
- Do you blog for professional reasons? (1 point)
- Do you blog as a way to keep an online diary? (2 points)
- Have you visited MySpace at least five times? (1 point)
- Do you communicate with friends on Facebook? (2 points)
- Do you use email to communicate with your parents? (1 point)
- Did you text to communicate with your parents? (2 points)
- Do you take photos with your phone? (1 point)
- Do you share your photos from your phone with your friends? (2 points)

Resultados: 0-1 point - Baby Boomer / 2-6 points - Generation Jones / 6- 12 points - Generation X/ 12 or over - Generation Y

Ele até faz uma reclassificação dos pontos depois, achando que o teste está muito "low", justificando que qualquer um entraria na geração Y, e é um barato ver as pessoas revoltadas porque não alcançaram os pontos, discordando e tudo mais.


Mudando mais ou menos de assunto, o segundo post que vou comentar também é de hoje e fala de uma pesquisa feita pela Gartner, justamente sobre a Generation V, que também não é classificada pela faxa etária - mas sim pelo uso que faz da internet como canal para busca de informações e troca de insights. Tá lá no site http://www.gartner.com/it/page.jsp?id=721008 e também no BlueBus. Dentro da "Geração Virtual" existem 4 níveis de pessoas que influenciam o conteúdo da informação hoje, os Criadores, Colaboradores, Oportunistas e Lurkers. Os primeiros, geradores de conteúdo original; os segundos, essencialmente seguidores, mas que fazem acréscimos à troca de informação, em seguida, os oportunistas, que contribuem para quem utiliza tais comunidades para gerar buzz no sentido de que podem agregar valor a uma conversa - e os últimos, aproximadamente 80% dos V´s, são principalmente expectadores que absorvem todas as informações - mas que contribuem justamente para indicar a representatividade das comunidades.

Aff... E aí, quem é você dentro da Generation V?

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Dear God

Você lê jornais ou revistas na internet? Acaba assistindo filmes, ouvindo música... também pelo seu computador? Pois é, agora se quiser falar com Deus pela internet também dá, e ainda por cima dá pra ler e comentar as preces alheias.


Acho que o site dear-god.net existe desde o início do ano, mas só conheci hoje, e achei o máximo. As pessoas vão lá e compartilham seus medos, agradecimentos, angústias e alegrias como se estivessem falando com Deus (e quem disse que não estão?). O mais legal é que as outras pessoas interagem umas com as "preces" das outras, dando força e tudo mais... ajudando umas as outras, confortanto, dando palavras de esperança. Sem que contar que é um belo lugar pra gente perceber que todo mundo é meio parecido, independente de religião ou de que Deus se acredite. Não deixa de ser uma terapia online também, apesar de o propósito ser outro.


As "orações" estão divididas em tópicos como humor, amizade, amor, família, sonhos, morte, esperança e vários outros. Existem as mais diversas conversas com Deus: uma menina confessando que se descobriu gay e apaixonada pela melhor amiga, outra que descobre que a mãe sofre de câncer, um homem que foi despedido dos dois últimos empregos no último ano, um rapaz que se diz feliz porque finalmente descobriu o amor, uma menina que sofre ao ver seus amigos nas drogas, entre outros. O que mais me chamou a atenção foi a de um ex-pastor, que após 23 anos deixou a batina e faz um desabafo sobre o mundo "fora da igreja" e de como as pessoas são hipócritas e falsas umas com as outras. Não vou contar mais pra não perder a graça.

Simples, honesto, humano e insightful.