Hoje pela manhã, escutei Vanessa da Mata e Ben Harper cantando aquela música, "Boa Sorte". Bode. Quem me conhece sabe que tenho bode da Vanessa da Mata, em primeiro lugar pelo nome, segundo pelo cabelo, terceiro pela voz, não necessariamente nessa ordem. Só vejo na mídia, como a "nova geração" da MPB nomes como o dela, o de Mariana Aydar, Nina Becker, Roberta Sá e por aí vai. Não tenho nada contra elas, pelo contrário, são ótimas intérpretes (tirando a Vanessa, que a voz me irrita), mas parece que falta um "quê" no nosso cenário musical. Alguma coisa nova, criativa, de qualidade. E que esteja em sintonia com o mundo. Não precisa ficar forçando a "brasilidade".Hoje li na Ilustrada uma reportagem sobre a nova revelação do Jazz norte-americano, a Esperanza Spalding, que vai tocar no TIM Festival em outubro. Baixei algumas músicas dela, inclusive fiquei curiosa porque em algumas ela canta em português - nas releituras de "Ponta de Areia" e "Samba em Prelúdio". Levando isso e outras coisas em consideração a gente pensa: o jazz nunca mais foi o mesmo depois da bossa-nova, na minha opinião (e modesto conhecimento sobre o assunto) o primeiro grande movimento musical brasileiro com influência mudial. E interessante, a bossa-nova era despretenciosa.
Depois, Tropicália - pra mim, apenas Mutantes. Eu não vou falar dos outros (Caetano e Gil) e também vou pular a fase ditadura-MPB -Chico Buarque e etc porque esse assunto "já deu". A própria Rita disse uma vez: "eu não tava nem aí pra ditadura, eu tomava é muito áááácido". Retomando, queria muito postar aqui alguma coisa sobre a banda e relacionar com essa falta de novidade que encontramos hoje. Daí me deparei com uma crônica antiga do Nelson Motta, comentando uma matéria sobre a Tropicália da New York Times Magazine escrita em 99 acho! Que tolinha, eu! Mas é muito engraçado, porque a matéria conclui que os brasileiros estavam 30 anos adiantados em relação aos americanos no que se refere ao movimento "pop sofisticado". Cita também como anos depois gente como Kurt Cobain, Beck e muitos outros se influenciaram pelos Mutantes - ironicamente - " um grupo de rock que durante toda a sua carreira foi acusado no Brasil de não fazer música brasileira. O rock dos Mutantes, para americanos, soa como samba, exótico, original, novo". Além disso, para a faixa-etária dos 18 aos 25 parece mais criativo e moderno do que o "repetitivo e desencantado rock americano", embora tenha sido feito há 30 anos atrás e em português. Leia na íntegra: http://sintoniafina.uol.com.br/cronicas.php?id=13
O que veio depois de novo/original? Entramos em crises sócio-econômicas e teve gente boa explorando os acontecimentos diversos no Brasil,como Cazuza/Barão Vermelho, Legião Urbana. Fora isso, várias outras bandas legais, como Capital, Ira!, Titãs, etc. Eles foram importantes para o rock do Brasil, mas não tivemos mais nada com capacidade de influenciar mundialmente. Não que isso seja necessário, é apenas uma observação.
E o que temos fazendo sucesso por aqui hoje? Imitação-emo-skatista NX zero e afins, Chorão-Brown, Pitty, Jota Quest. O que é considerado diferente pela massa? Talvez tenhamos poucos nomes, como Los Hermanos, CSS, Orquestra Imperial, Curumim? Tenho minhas dúvidas. Mas sei que nada é super expressivo por enquanto e ainda por cima é restrito a poucos. E parece que tudo o que tinha que ser contestado já foi cantado.
A gente sempre tende a pensar que todo grande movimento musical está relacionado à política. Nos anos 60 por exemplo, com a guerra do Vietnã e os hippies... com a ditadura no Brasil já citada. Mas não é bem assim. Hoje temos tanta desgraça na nosa cara, e o que vemos é que não adianta fazer os Live 8´s, o Earth Day e todos os outros festivais feitos nos últimos anos. É estranho, estamos todos cientes de nossos direitos, temos toas as informações do que está acontecendo, sabemos da injustiça da guerra do Iraque, de todo o absurdo da China (e mesmo assim vamos todos lá nas olimpíadas). Os líderes estão cag***** para nós. Nunca mais teremos um Woodstock. Falando nele, vale a pena conferir o site do museu, inaugurado justamente na fazenda Bethel Woods, nas proximidades de NY, onde aconteceu o festival. Ele é todo interativo, reúne fotos, acervo de materiais, diversos clipes, parece muito legal e deve valer a pena a visita: http://www.bethelwoodscenter.org/museum.aspx
Bom, não estou com muita inspiração pra concluir este post. No início eu queria terminar comentando o documentário "Sou feia, mas tô na moda" (2005) e falar um pouco sobre a internacionalização do funk carioca. No filme vemos o sucesso do DJ Marlboro no Sonar da Espanha, e também os gringos da França, Inglaterra e Eslovênia curtindo o pancadão. É engraçado, tanta gente cult tentando fazer sucesso lá fora e o que bomba é justamente o que a sociedade tenta esconder. Mas vou deixar pra outra hora. Fui!

2 comentários:
conheço a foto dos tres puladores! rsss
haha, é verdade, é capa do disco dos mutantes...mas também me faz lembrar uma certa festa... miss take, não era isso??
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