Mais triste que a própria imaginação de Hirst está a atitude de quem paga milhões por animais mortos achando que é arte. Queria saber o que se passa na cabeça dessas pessoas. Segundo comentário de Márcia Fortes para a Folha, Hirst adorava dizer no início dos 90: "I can´t wait to get the point where I can make really shit work and sell it for lots of money". Pois é, o momento está aí. Será que não tá bom explorar outras áreas, como desenhar jeans para a Levi´s?
Onde está a graça de envolver animais "em nome da arte"? Mês passado foi a vez do belga Wim Delvoye expor porcos tatuados. Ele foi probido de expor na Bélgica, mas acabou levando a exposição ArtFarm para a China, claro. Eles serão vendidos depois pra quem quiser comprar e então se exibir, adotar como animal doméstico, se divertir ou matar quando não quiser mais. Vale relembrar o caso do Guillermo Vargas Habacuc exibindo o cachorro até a morte na Costa Rica ano passado. Mesmo quem foi lá e assistiu não fez nada! Só depois rolou um abaixo-assinado na internet, mas ao que tudo indica, apesar de controvérsias, o animal morreu mesmo.

Até dá pra entender alguém pagar um par de sapatos na Daslú equivalente ao preço de dois jet-skys e todo o universo premium envolvido em itens de luxo, porque existe um conceito atrás desses produtos... Mas qual é a graça em expor a vida alheia, sem consentimento ou respeito?
O pior é que tirando essa palhaçada com os animais, esses caras têm trabalhos legais - tirando o costa-riquenho, que não conheço e nem quero conhecer - principalmente o Wim Delvoye, cujo site é super lúdico e cheio de coisinhas interessantes, recomendo a visita. Só não os porquinhos.

Um comentário:
Concordo que a beleza está nos olhos de quem vê moça, mas tem insanidade que também está na cabeça de quem pensa. O problema é, neste casos, pessoas que enxergam absurdos como este como arte, ao meu ver, é somente um absurdo descabido. O problema é que atualmente assistimos as coisas com uma certa naturalidade hipócrita de "os tempos mudaram", isso é arte, criticar e impedir é considerado censura.
Mas absurdos como estes são entregues de bom grado a um sociedade demente que vende e semeia barbaridades debaixo de unhas sujismundas, em bueiros pestilentos, em ralos de banheiro e frestas de azulejos alimentados por lodo.
O que é melhor neste caso moça? Enxergar, ou simplesmente fechar os olhos pra não ver absurdos que ão de acontecer independente de críticas? Não sei, mas pra mim incoerência não é arte, absurdo não é trivialidade, mas ignorância se vende aos montes por aí.
Abraço.
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